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Crianças e adolescentes incluem celular na rotina cada vez mais cedo

17/08/2012 | por Jornal de Beltrão
Cristiane Sabadin
Maurício, Lucas, Eduarda, Letícia e Bruna. Para eles, celular é inseparável,
mas o uso tem que ser com responsabilidade.

A criançada não perde tempo e quando começa a entender de informática e tecnologia já quer ganhar de presente um computador. Depois, não demora muito, quer ter o seu celular, igual ao da mamãe e do papai. Foi assim com Maurício Franciscon, 11 anos, aluno do 6º ano do Colégio Alliança. No aniversário deste ano, ele pediu um celular de presente e ganhou. Os pais decidiram dar porque acharam que havia chegado a hora de ele começar a ter responsabilidades e, claro, manter contato com a família mesmo à distância.

Maurício é um dos poucos que ainda ganham celular nesta faixa etária, depois dos 10. A maioria é presenteada bem mais cedo, quando ainda tem 6, 7 anos. Bruna Bellandi, hoje com 13, é um desses casos. “Eu ganhei bem mais nova, mas nem usava direito. Só tinha pra dizer que tinha.” Coisa de criança mesmo, mas depois ela passou a incluir o aparelho definitivamente em sua rotina. “Agora uso sempre. Pros amigos mando mais mensagens, as ligações são geralmente pro pai e pra mãe”, conta Bruna, que reforça a tese: é preciso economizar para não exagerar na conta e na cota do mês.

Os amigos Letícia Dallacheia, 13; Lucas Abdala, 13; e Eduarda Dalmolin, 10, também tiveram acesso ao celular mais cedo. Hoje, assim como Bruna, eles introduziram o aparelho no dia a dia, mas, apesar da pouca idade, se esforçam para utilizar da melhor maneira. “Um dia deixei o celular ligado na sala e o despertador tocou. Foi bem chato”, lembra Lucas. O legal é que essa moçada tem consciência e sabe que usar o aparelho dentro da sala de aula é errado, e eles procuram obedecer às normas da escola.

 

Colégio não proíbe, mas dá orientações

Os celulares fazem parte da vida da maioria da população, tanto que encontrar alguém que ainda não o use é tarefa bem complicada. Com as crianças e adolescentes, a realidade é praticamente a mesma: eles têm acesso à tecnologia, aprendem a mexer rápido e cobram dos pais para ter um celular igual ao do melhor amigo.

No Alliança, em Francisco Beltrão, os alunos não são proibidos de usar os aparelhos: eles podem levar pra escola, mas há restrições. “Preferimos orientar nossos estudantes a proibir. Eles precisam aprender a usar o aparelho tanto na escola como fora dela”, ressalta a coordenadora Elza.

Na sala de aula o uso é proibido, os professores pedem que os alunos desliguem os aparelhos para não atrapalhar o andamento da turma. Já no recreio, a utilização está liberada. “Muitos escutam música na hora do lanche e trocam mensagens com os colegas. Mas, mesmo assim, sempre incentivamos que eles conversem e não troquem o bate-papo pelo celular.”

 

Já houve problemas

Apesar da liberdade que os alunos têm e da responsabilidade que isso acarreta, alguns “pisam” na bola. Já utilizaram os aparelhos fora do horário, foram avisados e, como repetiram o fato, tiveram a penalidade devida, conta a coordenadora. “Primeiro conversamos, damos as orientações. Caso seja preciso, recolhemos o celular e chamamos os pais pra uma conversa. Já aconteceu, mas não são casos corriqueiros.”

Nem todas as escolas seguem essa regra. Há aquelas que proíbem o uso até mesmo na hora do lanche e evitam que os alunos levem o aparelho para o ambiente escolar.

 

Moçada de juízo

Uma coisa é certa: os pais trabalham e tem pouco tempo para passar com os filhos. Por isso, um aparelho celular ajuda, e muito, quando se trata de vigilância dos pequenos. Maurício, por exemplo, mora há 12 quadras do Alliança e volta pra casa a pé depois da aula. Para ele, é mais seguro andar com o celular porque, se acontecer qualquer problema, tem contato rápido com os pais. Se bem que basta Maurício demorar alguns minutos a chegar pro almoço que o telefone toca: é a mãe, certamente.

 

Veja o que diz Érico Peres Oliveira, psicólogo e psicanalista da Clínica Psicanalítica, em Francisco Beltrão, sobre a relação celular X crianças e adolescentes:

Jornal na Escola- Que atitude os pais devem tomar ao dar um celular aos filhos? Que conselhos devem dar? Que noções o filho, mesmo pequeno, deve ter?

Érico- É preciso entender que a criança vê o celular como um brinquedo. Foi a tecnologia que o tornou atrativo. Enquanto sua função se limitava a apenas telefonar, não chamava atenção das crianças. Porém, é fundamental deixar claro que não se trata de um simples brinquedo. Existe uma responsabilidade tanto na questão de saber lidar com os valores até a compreensão de que se deve ter cuidado com a ligação de estranhos. Ensinar que existem os momentos apropriados para sua utilização também faz parte dos direcionamentos. Pode-se utilizar o aparelho para introduzir as primeiras referências em relação ao dinheiro. Antes, isso acontecia com as mesadas, hoje pode estar acontecendo com os créditos.

 

Jornal na Escola- E a escola? Qual a melhor saída para evitar problemas: proibir o uso ou limitar a alguns horários? 

Érico- Certamente, limitar o uso seria o mais indicado. Se não houver uma restrição, sua utilização acaba sendo exagerada, prejudicando assim o desempenho escolar. Fazer uso do celular no recreio, por exemplo, não acarretaria problema algum. Importante que cada escola defina suas regras e que elas sejam explicadas corretamente a seus alunos, dando continuidade à responsabilidade já preestabelecida pelos pais.

 

Jornal na Escola- A violência e a falta de tempo disponível com as crianças faz com que muitos pais deem os celulares bem cedo, como meio de compensar o afastamento e vigiar os pequenos de longe. Isso não parece muito saudável, mas o que pode ser feito para evitar o ritmo natural das coisas?

Érico- A violência atual nos fez buscar novas formas para proteger a família. O celular entra como uma grande ferramenta no sentido de monitorar tanto crianças como adolescentes. No entanto, não se pode terceirizar esse cuidado. O contato entre pais e filhos precisa se manter o mesmo, sendo o telefone apenas mais uma forma de trazer segurança. Os pais precisam lembrar que sua presença é muito importante, não podendo ser substituída por aparelhos eletrônicos ou babás.

 

Jornal na Escola- Há perigos se uma criança ou adolescente fizer o mau uso do aparelho celular, principalmente na escola? Como os pais podem ensinar noções de responsabilidade e até de consumo (caso o celular tenha créditos) para os filhos?

Érico- Existe sim a possibilidade do mau uso do celular. Porém, isso depende da forma como os pais se posicionam em relação a sua utilização. Se o aparelho simplesmente é recebido como um presente qualquer, sem deixar claro tudo que vem consigo, aumentam as chances da criança ou adolescente o utilizar de forma indevida. Contudo, se a postura dos pais for outra, explicando e direcionando como se deve lidar com o aparelho, possivelmente o celular se tornará um aliado. Nesse movimento, é importante explicar sobre o gasto excessivo, os limites na escola, o exagero no tempo das ligações ou uso da internet. Alertar sobre promoções enganosas, trotes e até mesmo o famoso golpe do sequestro deve fazer parte da instrução dos pais.

 

 

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